sábado, 26 de dezembro de 2009

História das Copas- Parte 2- 1934- Itália

Antes da Copa Começar
Desde 1928, a Itália queria sediar a Copa do Mundo. O sonho não pode ser realizado em 1930, mas o ditador fascista, Benito Mussolini, não iria admitir uma segunda derrota. Ele queria que seu país fosse a sede da segunda edição da Copa.

Foram precisos 8 Congressos da FIFA, além pressões e até mesmo alguns casos(não comprovados, mas plenamente plausíveis)de subrono. Em 8 de Outubro de 1932, em Estocolmo, o Duce pode finalmente realizar seu sonho. Com a desistencia da Suécia, a Copa do Mundo seria realizada na Itália. E ele poderia mostrar ao mundo que seu regime era o que de havia de melhor.

O próximo passo seria reformar todos os estádios que sediariam jogos da Copa. Muito dinheiro foi gasto, mesmo para os que apenas iriam sediar uma única partida. Era mais uma demonstração de força do Duce. Foram criadas várias loterias para cobrir os enormes gastos. Pelo menos por 1 ano, não faltou emprego para ninguém.

O terceiro e mais importante passo do plano do ditador era o de fazer de tudo para garantir que a Azzurra fosse a campeã. Para isso, foi escolhido o jornalista Vitorio Pozzo, para ser o treinador. Ele era muito competente, fazia anotações e estudava os seus adversários. Meio pai, meio ditador, ele era muito respeitado por seus comandados.

Montou-se também, uma rede de olheiros pelo mundo, para que os melhores Oriundi(jogadores que já poderiam até ter atuado por outras seleções, mas se tivessem avós italianos, poderiam ser integrados a Itália). O primeiro alvo foi o argentino Monti, vice-campeão de 30. Outros 2 compatriotas se juntaram a ele, Guaita e Orsi. O último alvo foi um brasileiro. Filó, que na época jogava na Lazio.

A Itália começou a treinar em fevereiro de 34, 3 vezes por semana. Em abril, o trabalho passou a ser em período integral. Pozzo passou um longo tempo na Inglaterra, estudando o Arsenal, treinado por Herbert Chapman, que jogava no esquema WM. A Inglaterra, se recusava a disputar a Copa mas era, sem sombra de dúvidas o que havia de melhor em termos de esquemas táticos. O treinador italiano também mandou observadores para a América do Sul, a fim de observar Brasil e Argentina. Enfim, nada escaparia da organização de Pozzo.

AS Eliminatórias
A Copa do Mundo, rejeitada pelos europeus 4 anos antes, passou a ser objeto de cobiça para todos. 32 seleções se inscreveram, obrigando a FIFA, a criar as eliminatórias pela primeira vez. Como curiosidade, o país-sede foi obrigado a jogar as eliminatórias pela primeira e única vez.

No grupo 1, os EUA derrotaram o México, já em solo italiano e garantiram a vaga. No grupo 2, O Brasil se classificou automaticamente com a desistencia do Peru, assim como a Argentina no grupo 3, com a desistencia do Chile. Vale lembrar que o Uruguai, atual campeão, se recusou a ir a Copa, parte em represália contra os europeus, que não compareceream a competição organizada por eles 4 anos antes, parte para mascarar uma queda de qualidade técnica e uma crise financeira.

No grupo 4, o Egito se tornou o primeiro país africano a se classificar para uma Copa. No 5, a Suécia, no 6, a Espanha, no 7, a Itália derrotou a Grécia por 4x0, jogo realizado no San Siro, em Milão, com gols de Orsi, Filó e dois de Meazza. No 8, Áustria e Hungria, no 9, a Tchecoslováquia, no 10 a Suiça e a Romenia, no 11, Holanda e Bélgica e no 12, Alemanha Ocidental e França.

Definidos os 16 participantes da Copa, começaram a se especular sobre os favoritos. A Itália, logicamente, era apontada como a maior favorita, mas a Espanha, que havia vencido a Inglaterra e tinha no gol o grande Zamora. Hungria e Tchecoslováquia, também impressionaram ao vencer os ingleses, em um torneio realizado em Budapeste, ambos por 2x1. Mas a maior ameaça a Itália era sem sombra de dúvidas a Áustria. Dirigida por Hugo Meisl, que tinha enorme conhecimento tático. Sua equipe era chamada de Wunderteam ou time maravilhoso, e tinha como maior expoente, seu centroavante Mathias Sindelar, conhecido como homem de papel, pois parecia deslizar em campo. A vida, definitivamente, não seria fácil para a Azzurra.

A preparação do Brasil
No Brasil, a confusão de sempre permanecia. Desta vez o problema era entre a CBD(representante dos jogadores do Brasil junto a FIFA, e que não aceitava profissionais)e a Federação Brasileira de Futebol. No Rio de Janeiro, todos os times, com exceção do Botafogo, haviam aderido ao profissionalismo. Não causou estranheza, portanto, quando o alvinegro teve a base da seleção que disputou a Copa.

A CBD sabia que só mandar os “amadores” não seria o suficiente para uma boa participação na Itália. E logo ela, que sempre combateu o profissionalismo, passou a “contratar” jogadores. De São Paulo vieram 4 jogadores. Valdemar de Brito, Luizinho, Armandinho e Silvio Hoffman. Também se juntaram ao escrete, Leonidas da Silva e Tinoco. Tentou-se Fausto e Domingos da Guia, mas estes 2 últimos não aceitaram.

A confusão chegou a ser tanta, que os dirigentes do Palestra Itália, chegaram esconder vários jogadores do clube numa fazenda, no interior de São Paulo, para que a CBD não os achasse.

E foi nesse clima, sem a sua melhor seleção, que o Brasil seguiu para a Europa. No dia 14 de Maio, a seleção embarcou no navio Biancamano. Sem poder realizar treinamentos, o técnico Luis Vinhais só comandava exercícios de ginástica. Treinos com bola, só quando a embarcação parava em algum porto.

A delegação chegou a Itália no dia 24. A estréia seria no dia 27. O adversário fora definido por sorteio. Seria a Espanha, que por coincidencia, na parada do navio em Barcelona, embarcou junto com a seleção. Zamora, o grande ídolo espanhol, sabia que tinha que respeitar o Brasil. E quando ele foi visto assistindo o último treino do Brasil, na véspera da partida, deixou os brasileiros confiantes em uma bela vitória.

A Copa
Oitavas de Finais
Todas as partidas das oitavas de final, foram realizadas no mesmo dia, em 27 de Maio. Em Florença, jogaram Alemanha Ocidental e Bélgica. Kobierski fez o primeiro dos alemães, mas ainda no primeiro tempo. Voorhoof(que só jogou a Copa pois teve sua punição reduzida pela Federação Belga) virou a partida, causando surpresa nos espectadores. O gás belga porém acabou no segundo tempo. Kobierski fez mais um e Conen marcou tres vezes.

A Áustria, uma das maiores favoritas, estreiou em Turim, contra a França. Mas o Wunderteam estava nervoso e aos 19 minutos, Nicolas, o centroavante que apenas fazia número, pois havia se machucado minutos antes, abriu o placar para os franceses. No final da primeira etapa, Sindelar empatou. Mesmo com praticamente um a menos em campo, a França dominou o segundo tempo, e perdeu muitas oportunidades. A partida terminou empatada e foi para a prorrogação. Schall, marcou logo no começo(num impedimento escandaloso não assinalado). Bican ampliou para os austríacos. A França ainda diminuiu, através de Verriest. Mas Pozzo comemorava o fato do time maravilhoso não ser tão maravilhoso assim.

Em Nápoles, a Hungria goleou o Egito, por 4x2. O detalhe é que os egípcios haviam eliminado os hungaros, nos Jogos Olímpicos de 1924.

Em Bolonha, a Argentina, mesmo com uma seleção formada por amadores(a Federação não quis mandar os jogadores profissionais e correr o risco de perde-los para as grandes equipes européias após o mundial), não facilitou a vida da Suécia. Os hermanos chegaram a estar na frente do marcador por 2 vezes, mas a 15 minutos do fim, os suecos viraram a partida. Destaques para Jonasson, autor de 2 gols e de Devicenzi, que foi contratado pela Ambrosiana, forte equipe italiana da época.

Em Milão, jogaram Suiça e Holanda. Os suiços eram mais técnicos. E acabarm vencendo a partida por 3x2.

Em Trieste, a hábil equipe da Tchecoslováquia teve sérios problemas para vencer a Romenia. Os tchecos se fizeram valer da sua experiencia(média de 28 anos) e da grande atuação do goleiro Planicka, que viria a ser o melhor do mundial. A Romenia abriu o placar aos 10 minutos, através de Dobay. Mas na segunda etapa, Puc e Nejedly viraram a partida.

Em Roma, com a presença de Mussolini e várias outras autoridades importantes, os donos da casa estreiaram contra os EUA. O estádio estava lotado. Pozzo aproveitou a fragilidade americana para fazer observações. Ele sabia que o único jogador que representava real perigo a sua equipe era o atacante Donelli, oriundi de Nápoles. Ele acabou realmente marcando o gol dos EUA, mas ficou nisso. Com 3 gols de Schiavio, 2 de Orsi, 1 de Ferrara e outro de Meazza, a Itália goleou por 7x1. Essa foi a única partida do brasileiro Filó no Mundial.

E finalmente, em Genova, tivemos a estréia do Brasil contra a Espanha. E o início até que não foi tão ruim para a nossa seleção. Logo aos 10 minutos, Lánagara chutou forte e Pedrosa defendeu. O Brasil saiu para o contra-ataque e Valdemar desperdiçou boa chance, cara a cara com Zamora. Leonidas venceu Zamora, mas Quincones salvou em cima da linha. Aos 18, Martim meteu a mão na bola. Penalti contra o Brasil que Iraragorri converteu. Aos 27, Lángarra aumentou. Aos 36, Pedrosa saiu para cortar um cruzamento fácil, escorregou, caiu e a bola se ofereceu para Lángarra, novamente fazer 3x0.

No segundo tempo, a seleção partiu para o ataque, e aos 11 minutos, Zamora deu reobte num chute de Patesko e Leonidas diminuiu. Aos 15, Luizinho marcou um gol erradamente anulado. A última esperança veio num penalti cometido em cima de Leonidas. Valdemar foi para a cobrança, mas Zamora havia assistido ao último treinamento da seleção e sabia onde ele ele costuamava bater. Resultado, o goleiro espanhol defendeu a cobrança. A partir daí, o Brasil perdeu as forças. Mais uma vez, a seleção era eliminada cedo de uma Copa, enquanto a Espanha seguia em frente.

Quartas de Finais
Depois de ter passado um tremendo susto contra a França, a Áustria entrou em campo disposta a mostrar todo sua força contra a Hungria. Venceu por apenas 2x1, com gols de Horvath e Zischek, com Sarosi descontando para os húngaros. Mas apesar do placar apertado, o Wunderteam foi sempre superior e desperdiçou inúmeras chances de gol. Porém, nem tudo foram flores, a partida foi muito violenta. E a curiosidade ficou pelo duelo entre os dois melhores atacantes da Europa. Sindelar e Sarosi.

Em Milão, A Alemanha Ocidental fez 2x1 na Suéciae voltou a mostrar sua força. Os alemães fizeram 2x0, através de Hohmaan e passaram apenas a tocar a bola, sem correr grandes riscos. O gol sueco marcado aos 40 minutos do segundo tempo(feito por Dunker)não surtiu nenhum tipo de ameaça a vitória germanica.

Em um jogo empolgante, a Tchecoslováquia enfrentou a Suiça. Kielholz abriu o marcador para os suiços. Svoboda virou para os tchecos. Abegglen III empatou, mas aos 38 do segundo tempo, Nejedly fez o gol da classificação tcheca.

Em Florença, aconteceu um dos maiores jogos da história das Copas. Itália e Espanha se degladiaram por uma vaga na semifinal. O primeiro tempo foi todo espanhol, que conseguiu impor seu ritmo e marcou através de Rigueiro, aos 29 minutos.Aos 44, Ferraris IV marcou um gol irregular, pois Meazza e Orsi fizeram falta em Zamora. O goleiro espanhol, aliás, foi o grande nome da segunda etapa, realizando pelo menos 5 grandes defesas. O empate forçou a prorrogação que terminou em 0x0. Ao final da batalha, Pizziolo, Schiavio e Ferrari, pela Azurra e Ciriaco, Fede, Lafuente, Iraragorri, Lángara, Gorostiza e Zamora, pela fúria, não teriam condições de jogar a partida desempate(conforme previa o regulamento)24 horas depois. A violencia, principalmente de Monti, havia aniquilado a Espanha.

Na partida extra, novamente, a violencia deu o tom, com entradas desleais de parte a parte, mas a Azuura conseguiu um gol logo aos 11 minutos do primeiro tempo, através de Meazza e passou o restante da partida se defendendo. O Duce podia respirar aliviado, a Itália seguia na Copa.

As semifinais
Em Roma, a Tchecoslováquia jogou sua melhor partida na competição e derrotaram a Alemanha(para alívio de Mussolini, que não queria enfrentar os alemães de seu amigo Hitler na decisão). Nejedly abriu o placar, mas Novack empatou o jogo. Nejedly, porém, estava demais e marcou mais duas vezes para garantir as vaga tcheca na decisção.

Em Milão, a Itália contou com a ajuda divina para vencer os fortes austríacos. Caiu um temporal antes e durante a partida. O leve time da Áustria não conseguia se achar em campo. Mais forte fisicamente, os italianos marcaram seu gol logo aos 10 minutos do primeiro tempo, com Guaita. E depois usaram e abusaram da violencia e do jogo viril para parar Sindelar e compania. A Azzurra estava na decisão.

Disputa do terceiro lugar
Pela primeiva vez foi disputada uma partida de disputa do terceiro lugar. Com 2 gols de Lehner e 1 de Conen, contra 1 de Horvath e outro de Sesta, os alemães derrotaram os austríacos por 3x2 e ficaram com a terceira posição da Copa.

A Final
O clima era de tensão naquele 10 de Junho. Mussolini estava nervoso, havia convidado os jogadores da Azzurra e Pozzo para uma parada militar em Roma. O treinador não quis saber de distrações para os jogadores e argumentou com o ditador que no esporte, nem sempre o melhor ganha. O Duce não queria saber de desculpas. Aceitou as ponderações com relação ao desfile, mas mandou um bilhete a delegação, onde deixava claro o que queria naquela decisção, “ Vençam ou aguentem as consequencias”.

Pozzo mudou a tática de sua equipe após assistir um treino dos tchecos. Ao invés de cruzamentos na área, pediu bolas rasteiras e a entrada em diagonal de Orsi e Guaita. Monti, recuperado de contusão, comandava o meio de campo italiano. Mas apesar do domínio, o primeiro tempo terminou em 0x0.

Aos 25 minutos da segunda etapa, Puc marcou para os tchecos. Silencio no estádio. O Duce estava impaciente e nervoso. Aos 34, Svoboda poderia ter matado o jogo para o tchecos, mas seu chute explodiu na trave de Combi. O ditado de quem não faz leva provou mais uma vez ser verdadeiro. Aos 35, Orsi empatou a partida, levando todos ao delírio. Pozzo, não entrou na euforia da torcida e pediu para sua equipe tocar a bola e esperar a prorrogação.

Logo aos 5 minutos da prorrogação, Meazza lançou Guaita, que, pela direita, prendeu a bola e esperou a entrada de algum companheiro na diagonal. Schiavio entrou e tocou na saída de Planicka. A Azuura estava na frente, 2x1. Os últimos 25 minutos foram um sofrimento só para Pozzo e o Duce. A Tchecoslváquia pressionou, mas a Itália resistiu bravamente, graças a raça e disposição de seus jogadores.

Fim de jogo, a Itália era campeã mundial de futebol pela primeira vez. Das tribunas Benito Mussolini acenava para todos. Ele não resistiu e acabou descendo para o campo, a fim de entregar pessoalmente a Taça para o capitão Combi. E ainda viu todos os jogadores perfilados no lugar mais alto do pódio, com o sinal do regime fascista. Mussolini era, sem sombra de dúvidas, o grande vencedor da Copa Do Mundo.

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sábado, 19 de dezembro de 2009

História das Copas parte 1- 1930 Uruguai

Como foi visto no item anterior, os países do continente americano estariam em peso no Uruguai para a primeira grande festa do futebol mundial. Rimet, fez questão de garantir a presença da França na Copa. Renomado advogado que era, ele próprio negociou a liberação do trabalho de alguns jogadores, que assim puderam se ausentar por dois meses. Ele só falhou ao não conseguir a liberação do grande ídolo do Racing de Paris, clube que ele mesmo ajudara a fundar, Manuel Anatol . A Bélgica chegou a pensar em desistir mas foi decisiva a intervenção de Rodolphe William Seeldrayers, Vice-Presidente da FIFA e futuro sucessor de Rimet. Mas assim como seu colega frances, ele não teve exito em conseguir a liberação do maior astro do seu país, Raymond Braine, que preferiu jogar profissionalmente, mudando-se para a Tchecoslováquia. Na Romenia, foi o próprio Rei Carol quem se encarregou de escalar a equipe nacional. E sabendo da participação romena, a Iuguslávia, então grande rival esportiva da Romenia, não poderia ficar de fora da festa. Com quatro Europeus e 13 seleções ao todo, a festa no Uruguai estava finalmente pronta para começar.
Em janeiro de 1930, Rimet foi a um pouco conhecido escultor frances,chamado Abel Lafleur, para encomendar o troféu que seria entregue ao primeiro campeão do mundo de futebol. Por cinquenta francos suiços, uma verdadeira fortuna na época, Lafleur fez uma estatueta de 30 cm de altura,com 4 quilos de peso, sendo 1,8 de puro ouro, com base de mármore, simbolizava a vitória. E mais tarde seria conhecida como Taça Jules Rimet.
Com a partida de abertura da Copa marcada para o dia 13 de Julho, as seleções européias começaram a embarcar rumo a América do Sul. No dia 20 de junho, seguiram viagem as delegações da Bélgica, Romenia e França, além do próprio Rimet com a Taça do Mundo. Todos eles estavam a bordo do transatlantico Conte Verde. No dia 25, no transatlantico Flórida, embarcava a Iuguslávia, que preferiu não ir no mesmo navio que seus rivais romenos.
A seleção brasileira foi uma das primeiras a confirmar a participação no mundial. O Presidente da CBD, Renato Pacheco, formou a comissão técnica da seleção apenas com cariocas, o que causou uma imensa revolta nos dirigentes paulistas. Teve início então uma enorme briga que iria enfraquecer o Brasil na Copa. No dia 3 de junho, Pacheco enviou telegrama a APEA(que correspondia a Federação Paulista da época), requisitando a convocação de 11 atletas(vale ressaltar que mesmo com futebol brasileiro praticamente resumido a Rio e São Paulo, por uma incrível “coincidencia” haviam 11 atletas paulistas e 11 cariocas na convocação). Os atletas paulistas chamados eram os seguintes. Amicar, Athie, Del Debbio, Grané, Araken, Heitor, Petronilho de Brito(irmão de Waldemar, o descobridor de Pelé), Filó, Feitiço, De Maria e o maior jogador brasileiro da época, Arthur Friedenreich.
São Paulo, porém, não tendo sido atendido em seu pedido de cargos na comissão técnica, não cedeu os jogadores e boicotou a seleção.A CBD então tratou de convocar novos jogadores, cariocas é claro, para completar o escrete. O paulista Araken, rompeu com o Santos e resolveu se apresentar para disputar a Copa. O Brasil, portanto, ia para seu primeiro mundial, com uma seleção carioca, reforçada com um único paulista e sem seu maior jogador.
No dia 2 de julho, após apenas dois treinos, a delegação brasileira(carioca) embarva no Conte Verde rumo ao Uruguai. E já havia um excesso de cartolas viajando com a delegação(prática até os dias de hoje comum). Além de todos os problemas, faltou a seleção um mínimo de organização, nem Técnico a seleção possuia. Quem respondia pelo cargo era ora Píndaro de Carvalho, ora Vinelli Moraus ou até mesmo o árbitro brasileiro do mundial Gilbeto de Almeida Rego.
A viagem foi uma verdadeira tortura para os brasileiros, que sem espaço no navio, não coneguiam se exercitar. A maioria só fazia algumas leves movimentações no convés e algumas horas de natação. Quando o navio parava em algum porto, a delegação descia e tentava realizar algum treinamento com bola. O resultado disso tudo foi que os jogadores acabaram engordando muito durante a viagem e chegaram a Montividéu completamente fora de forma.
No dia 5 de julho, o Conte verde aportou no Uruguai, A delegação do Brasil seguiu para o hotel Colón, primeira concentração brasileira em uma Copa do Mundo. A temperatura era muito baixa. E a seleção tremia e não conseguia treinar direito.
11 de julho foi a data do sorteio dos grupos. Os cabeças de chave ficaram assim definidos. Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Os grupos da Copa ficaram assim definidos. Grupo A Argentina, França,México e Chile, Grupo B Brasil, Iuguslávia e Bolívia, Grupo C Uruguai, Romenia e Peru, Grupo D Paraguai, Bélgica e EUA.
A França queria estreiar no dia 14 de julho, dia em que comemora a queda da Bastilha. Para compensar a impossibilidade de atender ao seu pedido, a FIFA definiu que o jogo de abertura da Copa seria disputado entre França e México no dia 13 de julho.
GRUPO A
No dia 13 de julho, no Estádio de Pocitos, que pertencia ao Penarol(o Centenário estava com as obras atrasadas e só seria entregue para a estréia do Uruguai, no dia 18), entravam em campo França e México, para a abertura oficial da primeira Copa do Mundo de futebol da FIFA.
E, aos 19 minutos do primeiro tempo, Lucien Laurent, um modesto meia esquerda do Sochaux e que fazia apenas a sua terceira partida pela seleção francesa, deu um chute seco, da entrada da área, e abriu o marcador para os franceses. Mais do que isso, marcou o primeiro gol da história dos mundiais.
Mesmo jogando com um jogador a menos durante boa parte do tempo, pois o goleiro Thepot teve que sair machucado, e não se permitiam substituições, A França goleou o mal preparado México, por 4x1.
O segundo jogo do grupo, foi disputado no dia 15, entre Aregntina e França. O jogo foi uma batalha campal. O centro-médio argentino, Luisito Monti bateu em quem quis e contou com a ajuda do árbitro brasileiro Gilberto de Almeida Rego. Aos 36 minutos do segundo tempo, o próprio Monti marcou o gol da vitória argentina. O mais lance mais polemico, porém aconteceu aos 39 minutos, quando o ponteiro frances Langiller passou por dois marcadores e entregou a bola para Maschiot, que encontrava-se cara a cara com o goleiro e tinha grandes chances de empatar a partida..Ouve-se entretanto, um apito, dando a partida por terminada. Depois do público(que naturalmente torcia para a França devido a rivalidade com os hermanos)invadir o campo e muito protesto por parte dos jogadores, Almeida Rego resolveu admitir seu erro e fez a partida recomeçar, porém dessa vez sem perigo para os argentinos.
Nas demais partidas do grupo, o Chile estreiou vencendo o México, por 3x0, e depois bateu a combalida França, por 1x0. Como a Argentina também venceu o México, por 6x3, em partida que o fabuloso atacante Stábile marcou 3 gols, a vaga a semifinal seria decidida entre argentinos e chilenos.
A Argentina tinha muito mais time e confirmou a vitória por 3x1, garantindo assim a vaga na semifinal da Copa. Stábile marcou mais dois gols e salvou o valentão do time Monti de uma grande humilhação. O centro-médio argentino fizera uma falta desleal no pequenino chileno Subiabre, que se revoltou e ao levantar-se desferiu vários socos e pontapés no grandalhão argentino. Atonito, Monti não reagia, até que Stábile deu uns safanões em Subiabre, que teve que deixar a partida por causa das contusões. Incrivelmente, o árbitro belga Langenus, não expulslou ninguém.
GRUPO B
A data de 14 de julho entrou para a história do futebol brasileiro, pois foi o dia da primeira partida da seleção em um Copa do Mundo. Fazia muito frio, perto dos zero graus.O goleiro Joel não conseguia jogar de luvas e o massagista deixou um saco de água quente para que ele, de vez em quando, aquecesse suas mãos(providencia essa que não surtiu muito efeito, pois a água logo congelava). O certo é que os brasileiros foram envolvidos pelos iuguslavos. Araken ainda teve uma chance quando a partida ainda estava 0x0, mas por excesso de preciosimo, acabou perdendo. Aos 21 minutos, Tirnanic abriu o marcador. Aos 30 Beck ampliou e a vantagem iuguslava só não foi maior porque eles se pouparam.
Veio a segunda etapa e o Brasil melhorou. Fausto, que nessa copa ficou conhecido como “maravilha negra” empurrava o time para a frente. E apesar do frio e do medo de alguns jogadores, Preguinho fez de cabeça, aos 17 minutos o primeiro gol brasileiro em uma Copa do Mundo.
A classificação a semifinal estava praticamente impossível, pois para que isso acontecesse seria preciso a frágil seleção da Bolívia vencer os iuguslavos. E, obviamente não foi isso que aconteceu. Iuguslávia, classificada para a semifinal da Copa 4x0 Bolívia.
Restava a seleção se despedir com honra. Píndaro de Carvalho e seus outros “técnicos” fizeram 9 alterações. E o Brasil goleou a Bolívia. Moderato marcou o primeiro aos 37 minutos do primeiro tempo. Preguinho fez o segundo aos 6 minutos do segundo tempo. Moderato voltou a marcar aos 28 e Preguinho fechou o placar aos 30. Essa vitória só serviu para ser a primeira do Brasil em Copas do Mundo.
E o mais lamentável de tudo é que com sua seleção completa, o Brasil conseguiu resultados expressivos contra Argentina e Uruguai, o que levava a crer, que se não houvesse a briga entre paulistas e cariocas, a seleção poderia ter ido mais longe, e quem saber até ter sido campeã...
GRUPO C
O primeiro jogo deste gurpo aconteceu no dia 14 de junho com a viória romena por 3x1 sobre o Peru. Nesta partida ocorreu a primeira expulsão da história das Copas, quando o peruano Galindo simplesmente quebrou a perna do romeno Steiner.
No dia 18, o Estádio Centenário, ainda com cheiro de tinta e cimentos frescos, foi finalmente inaugurado. O jogo envolveria os donos da casa contra a frágil seleção peruana. O Uruguai vinha de uma pequena crise, pois já treinava a alguns meses para a Copa. O goleiro titular Andrés Lazzali, não suportou o ritmo intensivo dos treinamentos e deu uma “escapadinha” de madrugada. Quando voltou, o técnico Alberto Suppici estava o esperando e anunciou seu corte. Para o seu lugar, incrivelmente, foi convocado “Manco” Castro, um atacante que não possuía o antebraço esquerdo.
O povo uruguaio esperava uma goleada, porém os mais de 81.000 espectadores, tiveram que se conformar com uma magra vitória por 1x0, com gol de Castro, aos 15 minutos do segundo tempo.
Com o pouco expressivo resultado obtido na estréia, os uruguaios precisavam vencer a Romenia, já que o empate favoreceria os romenos por ter um melhor saldo de gols. Chegou-se a temer pelo pior, mas dessa vez o time jogou bem. Com gols de Dorado, Scarone, Anselmo e Cea garantiram vaga nas semifinais.
GRUPO D
O pior grupo da Copa teve início no dia 17 de junho, quando os EUA surpreenderam e venceram a Bélgica por 3x0, com gols de MCGhee, Florie e Paternaude.
E os norteamericanos seguiram com suas façanhas, ao vencer o Cabeça-de-chave do grupo, o Paraguai, também por 3x0. Com estes resultados, a Seleção dos EUA estava entre as quatro melhores seleções do planeta.
No útlimo jogo, já sem nenhuma importancia, o Paraguai derrotou a Bélgica, por 1x0, com gol de Pena.
SEMIFINAIS
Os confrontos das semifinais foram determinados através de sorteio(especula-se que tenha sido um sorteio dirigido para que não houvesse um confronto entre uruguais e argentinos na semi). Coube a Argentina e EUA fazerem a primeira semifinal, no dia 26 de junho.
E foi um verdaeiro massacre portenho. Stábile marcou 2 vezes, Peucelle mais duas, Monti e Scopelli marcaram os 6 gols. O EUA fez o seu de honra faltando apenas dois minutos para o término da partida, através de Brown.
No dia seguinte era a vez da Celeste confirmar seu favoritismo e avançar a decisão. E eles não deixaram por menos. Venceram pelos mesmos 6x1 que os argentinos, com a diferença que acabaram levando o primeiro gol(Vujadinovic), mas depois veio o massacre. Cea marcou 3 vezes, Anselomo duas e Iriarte fechou o marcador.
Não havia disputa do terceiro lugar na Copa de 30 e a final que todos esperavam, iria realmente acontecer. Uruguai x Argentina, numa revanche da final dos jogos olímpicos de 1928, vencida pelos uruguaios.
A FINAL
A grande final estava marcada para o dia 30 de junho, uma quarta-feira. Devido a grande rivalidade e as já conhecidas brigas, a polícia tratou de montar um esquema especial de segurança e de dimnuir a capacidade do Centenário para 70.000 pessoas.
Os argentinos tiveram direito a 20.000 ingressos e embarvam cruzando o Rio da Prata. Os que não conseguiam ir exigiam a vitória ou a morte. O clima nas concentrações era de muita tensão. Amenizada apenas pela visita de Carlos Gardel as duas concentrações.
Para a sorte dos policiais, muitos barcos que saíram da Argentina não conseguiram chegar a Montevidéo devido ao mal tempo. Com isso, o numero de torcedores argentinos foi bem menor do que o esperado.
Os problemas continuavam, principalmente na Argentina o sempre valente e temperamental Monti, estava acuado, quieto. Horas antes da decisão ele foi flagrado chorando. O que ninguém sabia é que Monti sofria com as ameaças de morte a sua mãe e esposa.
A primeira “guerra” da decisão foi vencida pelos argentinos. Cada seleção queria jogar com a sua bola. O árbitro belga Langenus(que iria deixar Montividéo logo após a partida)propos que se fizesse um sorteio. E nele, venceu a Argentina que pode jogar com a sua pelota.
A partida começou tensa, como era de se esperar, mas aos 12 minutos Dorado abriu o marcador, em passe de “Manco” Castro, que voltava ao time titular, para o time da casa. A alegria da torcida porém não iria durar muito. Aos 20, Peucelle empatou e aos 37, o artilheiro da Copa, Stábile marcou seu oitavo gol e virou a partida para os argentinos.
A torcida ficou apreensiva. O Uruguai tinha apenas 45 minutos para virar a partida. O segundo tempo começou e nada de gol de empate. Aos 12, Cea marcou para a Celeste. A torcida veio abaixo. O barulho era ensurdecedor. E os Argentinos sentiram o golpe. Aos 23, Iriarte fez o gol que colocou os donos da casa em vantagem. O título se aproximava. Mas faltava o surgimento do herói. E aos 44 minutos, o pequenino Manco Castro subiu mais que o zagueiro Della Torre e marcou o tento da vitória.
Jules Rimet entregou a Taça ao capitão da Celeste Nasazzi. O Uruguai confirmava que possuia o melhor futebol do mundo daquela época. E “Manco Castro! Pode ser considerado o primeiro herói de uma Copa do Mundo.

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